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Cibersegurança

Será que o novo app de reconhecimento facial é seguro?

Foto: Ana Maria Braga foi uma das que usou o app Voilá Al Artist. Você também brincou?

Quase todo ano o FaceApp volta dos mortos e ressuscita a discussão se é seguro compartilhar fotos com este app, que as tais fotos serão usadas para treinamento de Inteligência Artificial e reconhecimento facial. Um dos maiores problemas não está nem em tudo isso, mas no fato das imagens ficarem armazenadas em um servidor de terceiro o qual você não terá nenhum conhecimento se elas vão estar seguras ou não. Pois bem, este ano, mais um app que pede suas fotos para algum tipo de brincadeira surge. O FaceApp te envelhece ou te deixa mais novo. E o Voilá Al Artist permite que as pessoas transformem suas selfies em desenhos 3D.

Os especialistas das Kaspersky analisaram os termos de privacidade do Voilá Al Artist e apontam a cláusula que diz que as fotos enviadas para o aplicativo passam a ser de propriedade da empresa. É neste ponto que os especialistas se perguntam: quais usos a empresa dará para essas imagens? “Um indício positivo é que o app tem seu próprio modelo de monetização – com propagandas e ofertas pagas dentro da aplicação -, isto já é um indício que o interesse comercial (vendas das fotos coletadas) não seja o objetivo principal”, garante a Kaspersky através de sua assessoria de imprensa.

Desta forma, os especialistas da Kaspersky acreditam que as imagens devem servir para treinar tecnologias de Inteligências Artificiais e de reconhecimento facial – como ocorreu nos últimos anos com o FaceApp. “Desde o surgimento da internet já se falava em colaboração online e o isolamento social nos fez ficar ainda mais conectados. Acredito que este tipo de situação será cada vez mais comum e pode ser feita sem problemas, mas há algumas questões de segurança e privacidade que devem ser levadas em consideração, como a transparência no uso dos dados e a responsabilidade no processamento e armazenamento das informações pessoais”, alerta Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky no Brasil.

De acordo com a Kaspersky, um risco que as pessoas precisam avaliar é o uso do reconhecimento facial no lugar de senhas (autenticação) – seja no desbloqueio do celular ou ao acessar o Internet Banking. “Uma empresa dificilmente usaria as imagens para algo malicioso, como burlar uma autenticação, porém estes bancos de dados de imagens podem vir a ser alvos de ciberataques no futuro”, diz Assolini que destaca o segundo risco: o processamento e armazenamento de informações pessoais.

“É importante lembrar que esses dados estão armazenados em servidores de terceiros e são processados na nuvem. Uma vez que as imagens passam a ser da empresa, é ela que tem a responsabilidade de protegê-las e garantir que cibercriminosos não terão acesso ao banco de dados”, acrescenta o analista.

Sobre o comportamento dos internautas, Assolini afirma que os brasileiros estão cada vez mais preocupados com sua privacidade online. A pesquisa “Infodemia e os impactos na vida digital” (2021) mostra que apenas 22% dos brasileiros não lê os termos de privacidade dos apps e nem pensava como seus dados seriam usados. Bem diferente de outra pesquisa realizada pela Kaspersky de 2019 que apontava que mais de 60% dos internautas no Brasil não lia os termos de privacidade dos apps e nem pensava como os seus dados poderiam ser utilizados. “O fato de o brasileiro estar mais consciente com sua privacidade digital é uma ótima notícia e constatar que o excesso de informações não gerou impactos negativos é melhor ainda”, celebra Assolini.

Para assegurar uma diversão online tranquila, a Kaspersky relembra algumas dicas de segurança básicas:

  1. Antes de baixar um app, verifique quem é o desenvolvedor. Apps falsos normalmente usam nomes de pessoas ou nomes falsos de empresas.
  2. Sempre baixe o app nas lojas oficiais, pois estes passam por uma checagem que diminui as chances de encontrar programas maliciosos.
  3. Mesmo nas lojas oficiais você deve analisar ao menos 3 páginas de comentários para saber a opinião real dos usuários, especialmente as mais recentes.
  4. Leia o termo de privacidade e as permissões no processo de instalação para saber quais informações o app terá acesso. Tome uma decisão consciente.
  5. Encare o reconhecimento facial como uma senha – e não saia utilizando esta opção em todos os lugares.

Não é fácil resistir a esse tipo de app. Eu mesmo acabei usando o FaceApp. Agora não fui na onda, mas o risco vale? Ficar na onda como os demais é mais importante do que cuidar da segurança? Agora sei que não. E você? Participou da brincadeira da moda ou ficou de fora? Se ficou, qual o motivo: segurança ou não querer ser mais na multidão?

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