Domingo, Outubro 24
Home>>Cibersegurança>>Pagamento por aproximação cresce no Brasil; conheça vantagens e desafios
CibersegurançaNegócios

Pagamento por aproximação cresce no Brasil; conheça vantagens e desafios

Image by rawpixel.com

Pagamento por aproximação finalmente ficou comum no Brasil (acredito que lá fora já era mais normal). A pandemia do novo coronavírus nos forçou a adotar várias medidas de segurança e uma delas é o pagamento sem precisar encostar o cartão na maquininha. Um avanço a isso é o uso do celular, de relógios inteligentes e de pulseiras inteligentes para o pagamento.

Os serviços via dispositivos inteligentes para pagamentos são ainda mais robustos em segurança e prometem ainda mais facilidades para seus usuários. Praticamente todo mundo tem um smartphone para sacar do bolso e fazer o pagamento. A pulseira inteligente circula em um grupo mais reduzido, mas também está aí, bem como smartwatches que, pelo valor astronômico, são formas de pagamento de um público ainda mais seleto. Estes produtos tecnológicos juntos são chamados de wallets, carteiras digitais, formas avançadas de pagamento.

Segundo Gustavo Turquia, diretor de Vendas e Soluções para o Comércio da Visa do Brasil, existem três tipos de Wallets:

  1. Pass-through wallets: são aquelas que não processam transações nem armazenam fundos, somente armazenam os dados da credencial de pagamento. Ou seja, atuam como um espelho do seu cartão. Normalmente são usadas com base no smartphone, pulseira ou outro dispositivo.
  2. Staged digital wallets: não só capturam transações como permitem o carregamento de fundos. Permitem também as transações “back to back”, ou seja, aquelas que são feitas usando parte de um saldo disponível na carteira e parte de um saldo novo colocado para complementar o valor daquela transação. Essas wallets normalmente possuem um contrato de credenciamento para aceitação nos estabelecimentos comerciais.
  3. Stored value digital wallets: para utilizá-las em uma transação é preciso fazer um pré carregamento de fundos, como se fosse um cartão pré-pago. Normalmente, não se faz um contrato de credenciamento de aceitação nem permite transações “back to back”.

Segundo Turquia, se pensarmos que o Brasil possui 228 milhões de celulares, de acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de novembro de 2020, ele vê como um promissor caminho de inclusão digital no País o uso das wallets. O executivo acredita que há uma convergência clara entre a evolução da digitalização na indústria de pagamentos e uma corrida por novos pontos de aceitação quando olhamos para o ecossistema como um todo.

“Em uma primeira onda, vimos a democratização da maquininha nos pontos de vendas e o lançamento de soluções disruptivas baseadas em dispositivos móveis. Em seguida, acompanhamos um interesse crescente pelos marketplaces, que abriu a possibilidade para conectar diversos parceiros dentro de um mesmo ecossistema e ampliar a aceitação de pagamentos digitais em estabelecimentos comerciais menores que não se viam prontos para criar a sua própria loja virtual. Vejo, portanto, as wallets como uma consequência natural desse grande panorama de inovação pelo qual temos passado nos últimos anos, ou seja, uma terceira onda na evolução do mercado de aceitação brasileiro”, afirmou Turquia em artigo enviado ao blog.

Cliente pagando por aproximação usando o método de pagamento da Samsung e cartão Visa

Segurança

Mas e a questão da segurança das wallets? Segundo Adriana Umeda, diretora executiva de Risco da Visa, o sistema é bastante seguro, em especial os da empresa que ela trabalha. “Todos os dados de credenciais Visa ficam armazenados dentro de uma área segura dentro do sistema, onde o acesso de servidores ou hackers é extremamente difícil, o que dificulta qualquer tentativa de roubo de informações”.

Eu preciso concordar. No caso, uso a Wallet do iPhone com cartões Visa e Mastercard inseridos. Além da segurança de sua digital, no caso da Visa, ser sua senha (no cartão Mastercard há um valor mínimo para não incluir a senha), você sabe tudo sobre a compra: o nome real (e não o horrível nome fantasia do local), sabe o dia, a hora e até tem um mapa de onde está localizado o estabelecimento. É muito mais transparente que o plástico, o cartão comum.

Sobre o processo da wallet na Visa, Umeda fala que a empresa trabalha com o conceito de abordagem em camadas. Segundo a diretora, o processo passa pela verificação dos dados do device pelas wallets, pelo provisionamento e “tokenização” da credencial no dispositivo, o que acontece através das bandeiras e com o crivo dos bancos emissores, dentre outros fatores. “O monitoramento destes processos é contínuo e conta com diversos atributos de informação e geração de ‘scores de risco’, tudo para apoiar uma melhor tomada de decisão”, disse Umeda.

Sobre a questão da terceira idade e o uso de wallets, a diretoria não acredita que o fator geração será um impeditivo. “A conveniência de se pagar com o próprio device usando credenciais de pagamento por aproximação tem sido chave para atrair o consumidor. Independente da idade, temos visto hoje que segurança e privacidade aparecem como os principais atributos na hora de realizar transações digitais. E as soluções têm sido focadas em proporcionar sempre a melhor experiência, o que facilita mesmo para quem ainda não é muito habituado à tecnologia. Está cada vez mais fácil e seguro”, esclareceu.

Pagamento via WhatsApp

Ainda segundo Umeda, ela cita uma pesquisa inédita encomendada pela Visa e realizada pela empresa Morning Consult, em março de 2021, que mostrava que os portadores de credenciais Visa queriam realizar transferências no WhatsApp. “79% dos entrevistados demonstraram interesse em usar o app para transferências rápidas entre pessoas. O público com mais de 65 anos foi o mais interessado na solução, com 83% afirmando ter interesse em usar o WhatsApp para transferências de dinheiro – o que mostra que esse público está aberto à inovação”, garantiu.

Ela fala que a pesquisa também revelou os atributos mais valorizados pelos consumidores ao realizar uma transferência, entre eles: conveniência, custo, usabilidade, privacidade, segurança, velocidade e confiança. “Segurança e privacidade foram os pontos mais importantes ao enviar dinheiro para amigos e familiares, com 83% afirmando que a segurança é muito importante e 80% destacando a relevância da privacidade. Pessoas entre 35 e 44 anos são as mais preocupadas com esses dois atributos, privacidade (89%) e segurança (93%)”, finalizou.

Sem dúvida o formato de wallet em devices como celulares, pulseiras e relógios é algo maravilhoso. Infelizmente, a inclusão digital no Brasil, a questão das wallets estarem restritas, ainda há smartphones de preço elevado e até insegurança (no caso de quem quer ter um smartwatch para pagamentos) devem deixar muita gente ainda fora desse processo. Porém, certamente é um caminho sem volta. A tendência é que os produtos fiquem mais acessíveis, que as wallets cheguem a mais smartphones e que uma camada ainda maior de usuários possa utilizá-las para comprar. Serão menos golpes de trocas de cartão ou de clonagem de chips de cartões no mundo. Até que os hackers descubram como quebrar, de forma eficiente, a proteção das wallets, claro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *