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Golpe da clonagem de WhatsApp é difícil de rastrear

Imagem: Rawpixel.com

Quando roubam o WhatsApp de uma vítima é algo bem ruim, mas quem foi atacado acaba descobrindo até rapidamente. Sim, não a tempo suficiente para evitar que amigos caiam no golpe, mas sabe. Quando alguém clona seu WhatsApp aí complica. Nem sempre a descoberta é tão rápida.

A clonagem ocorre quando o criminoso pega sua foto de algum lugar da internet e, usando um chip qualquer, começa a pedir dinheiro para seus amigos e parentes. Mas como ele tem acesso às pessoas próximas sem invadir o seu celular?

Segundo a Kaspersky, isso ocorre porque os bandidos já tiveram acesso a dados pessoais das vítimas. Esta é a principal mudança no esquema. Os criminosos compram um banco de dados com muitas informações pessoais, como endereços, telefone, local onde trabalha, preferência de lazer e filiação e indicações de pessoas próximas. Os criminosos que comercializam essas informações foram nomeados como Data Brokers, garante a empresa russa de segurança de dados.

Ainda de acordo com a Kaspersky, os Data Brokers não operam o golpe, mas são parte crítica da operação. Eles são responsáveis por obter os dados pessoais para os bancos de dados e organizar os ataques contra empresas que detém registros de internautas. “Todos os tipos de empresa podem ser vítimas. Logicamente que lojas online são alvos óbvios, mas qualquer empresa conta com banco de dados de funcionários e de clientes que podem ser usados”, afirma Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky.

Depois de comprarem as informações pessoais dos Data Brokers, os criminosos ainda procuram nas redes sociais pelos nomes e fotos das pessoas para serem usadas nas contas que aplicarão a extorsão. “As contas são clonadas, por isso que a pessoa não fica sabendo que sua identidade está sendo usada em um golpe”, destaca Assolini.

Segundo o analista da Kaspersky, o golpista envia para familiares e parentes da vítima uma mensagem, geralmente, com o texto “troquei meu celular”. Afinal, o novo número não é de conhecimento dos mais próximos da vítima. Logo, o criminoso improvisa. Depois de conversar ou mesmo bem diretamente, ele irá passar aquela conversa que precisa de um dinheiro para pagar uma conta ou coisa do tipo. É aí que começa a ação de verdade.

Mãe foi o alvo

Almino Loiola, empresário, foi uma das pessoas recentemente clonadas por criminosos. Uma foto do empresário foi usada para criar uma WhatsApp. O criminoso enviou uma mensagem para a mãe de Almino para obter vantagens financeiras. “Mãe, me faz um favor. Estou com problema no meu banco. Você pode pagar esse boleto pra mim?”, foi a mensagem enviada. O valor do boleto era de R$ 8 mil. “Por sorte meu irmão estava em casa e impediu que ela pagasse”, afirmou Almino que acredita que a mãe não iria conseguir, pois ele e o irmão ajudam ela nessa parte. Porém, a mãe dele ficou angustiada e nervosa.

Segundo Almino, o irmão até falou pro criminoso que ele havia perdido e o golpe não iria funcionar, no que o criminoso respondeu que não perdeu, só não fez ganhar, apagando a foto e o nome de Almino e encerrando as tentativas.

O empresário ficou muito preocupado, pois não sabia como alguém poderia ter tido acesso a agenda de telefones dele para descobrir quem era a mãe dele. Segundo a Kaspersky, isso ocorre pelo cruzamento de banco de dados vazados. Criminosos trabalham para obter um cruzamento e verificar filiações e aí tentar um golpe mais preciso.

Felizmente, no caso de Almino Loiola, não houve perdas. A mãe do empresário não pagou o boleto de R$ 8 mil e, também, o irmão por perto a tranquilizou e evitou que ela passasse mal. Infelizmente, nem sempre é assim. Mas como se proteger se todos os nossos dados estão expostos?

Como se proteger

– Altere as configurações de privacidade para que sua foto seja mostrada apenas para seus contatos. Também não use a mesma imagem em todas as suas contas. Caso os criminosos peguem uma foto diferente, seus contatos mais próximos podem desconfiar. Consulte o Privacy Checker da Kaspersky para ver como alterar as configurações de privacidade nos serviços online e assumir o controle de seus dados pessoais.

– Caso você receba alguma mensagem, sempre desconfie. Entre em contato com a pessoa que está pedindo dinheiro por telefone (ligação). Além de confirmar a autenticidade da mensagem, você ainda alerta a pessoa sobre o golpe.

– Por mais que a clonagem não tenha invasão ao celular, siga mantendo a autenticação em dois fatores. Ela é vital para sua segurança e, se possível, use também uma opção de destravamento por digital no seu app. E nunca repasse pra ninguém os seis dígitos e, lógico, se alguém pedir algum código de seis dígitos enviado por SMS, não dê. É golpe!

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